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Elas por Elas

Inspiradas na série Sex and the city e confortavelmente instaladas no anonimato, duas jornalistas transformam as suas próprias histórias e as das amigas em diversão, reflexão, humor e, sobretudo, crítica.


O último post

"Nós precisamos de um projeto", disse a Mari no final do almoço em que fundamos o EPE. Para ser rigorosa com a história, nós terminamos o almoço decididas a ter um projeto comum, que este projeto seria um blog, e que esse blog seria o EPE só foi ficando claro com o passar de alguns poucos dias. Juntaríamos, assim, a necessidade de nos engajar num projeto com a sacada de que aquele cara da mesa ao lado, que já tinha acabado de almoçar h´aum tempão mas não ia embora, interessado que estava na nossa conversa, era um leitor em potencial.

E assim, o primeiro post foi publicado no dia 23 de agosto de 2002, antes da estréia de Sex and the City no Multishow, mas já inspirado nas quatro solteiras de Nova York. Eu, na verdade, já tinha assistido as duas primeiras temporadas, exibidas algum tempo antes na HBO.

A nossa idéia era simples: o EPE seria como a coluna da Carrie no jornal. Mari e eu seríamos as jornalistas que contariam na internet histórias reais nossas e das nossas melhores amigas.

Foi também num almoço no mesmo restaurante que nos demos conta que o EPE comemora dois anos de vida no mesmo dia em que a série termina no Brasil. E lembramos imediatamente da frase de Sarah Jessica Parker quando explicou na imprensa por que terminariam com Sex and the City: "Queremos parar no auge".

Imediatamente Mari e eu começamos a discutir se era ou não possível identificar qual era o auge do EPE, e depois de concluirmos que não, nunca é possível saber qual é o auge, decidimos também que o EPE terminaria hoje, 23 de agosto, junto com o último capítulo da série.

A frase fundadora ("Precisamos de um projeto") já deu origem a vários outros projetos, individuais, coletivos, profissionais, pessoais. O EPE já deu filhote e afilhado, já promoveu separações, encontros e até casamentos. Mas como Carrie, Samantha, Miranda e Charlote, Mari e Isa têm outras trilhas a seguir, novos rumos, diferentes projetos que chegam e vão.

Para que o novo chegue, é preciso em certo momento deixar para trás o que já existe, saber perder para saber ganhar.

Mari e Isa descobriram que, como as quatro novaiorquinas, estava na hora de deixar a vida trazer novos projetos.

Até lá!

Mari e Isa

Em tempo:

1. use hidratante (veja post abaixo).
2. a página vai ficar no ar.
3. os comentários vão sair do ar.

por Isadora em 23.8.04





As quatro viradas

Samantha vira o jogo, curada do câncer e do ceticismo, Miranda admite a vida em família, o companheirismo, e a ternura, Charlotte entende que maternidade é uma coisa que vai além da biologia, e Carrie aprender a ser feliz sem fantasias, mas com a vida real.

"O melhor relacionamento que podemos ter é com nós mesmos", anuncia ela antes da cena em que atende o celular e vê a identificação do primeiro nome de Mr. Big. Intimidade com si mesma, e portanto disponibilidade também para intimidade com o outro.

O que eu mais gosto do último capítulo ainda é o indecidível: afinal, toda essa revolução de comportamento, toda essa mudança nas relações afetivas leva exatamente para onde?

Algumas das respostas do seriado por vezes me dão a sensação de apontar para o conservadorismo: nem só de sexo pode viver uma mulher (Samantha), nem só de trabalho pode viver uma mulher (Miranda), a maternidade é uma necessidade (Miranda), e o compromisso idem (Carrie).

Mas as vezes eu também tenho a sensação oposta: a de que as quatro novaiorquinas emblemáticas tiveram o grande mérito de inventar, nessas seis temporadas, a forma como viveriam as suas próprias vidas. E, afinal, não é exatamente isso que nós queremos?


por Isadora em 23.8.04



Ouça um bom conselho, que lhe dou de graça...

A esta altura todo mundo conhece aquele texto gravado pelo Pedro Bial que insiste: "Use filtro solar."

Todos os dias, quando vou passar creme no rosto, fico pensando que para mim, ao invés da máxima do filtro solar do Bial, o que funciona agora é: "Use hidradante." Eu, que nunca gostei de cremes de beleza, que nunca acreditei em anti-rugas, agora me pego repetindo, como um bom conselho que lhe dou de graça: "Use hidratante no rosto."


por Isadora em 23.8.04



A Isa e o Paulo Coelho - um sinal

Nunca leio os textos do Paulo Coelho no Globo. Mas ontem algo - talvez o próprio título, talvez um sentimento interior desconhecido - me levou a ler a coluna dele na revista. Na qual encontrei o seguinte trecho:

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.

Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos ¿ não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.


Foi inevitável pensar: "Nossa, isso foi escrito para mim!". Para ler mais, clique aqui.
por Isadora em 23.8.04





A palavra certa

Pleno domingo de sol na Lagoa, percebi a quantidade de faixas escrito BASTA em janelas e varandas dos prédios chiqueérrimos da alta sociedade carioca. O tal do BASTA, eu sei, é contra a violência e já foi alvo de crônicas, críticas, sacanagens de todo tipo na Internet, etc. Mas juro que foi a primeira vez que pensei sobre isso e o que pensei foi que eles não combinavam de forma alguma com aqueles edifícios fumê maravilhosos e suas varandas espetaculares onde a maior das violências, que é a da fome, do desemprego e da falta de cultura, não moram

Ali deveria estar escrito SOBRA.

E em cada janela de barraco de favela, FALTA.

Nesse sentido, o BASTA estaria em bem poucas varandas dessa cidade e desse país.

Boa semana para todos.



por Mariana em 22.8.04





Enquetes: polêmica e humor

O que já deu samba no EPE: as enquetes. Foram muitas ao longo desses dois anos, e misturaram polêmica com humor. Essa da troca de papéis foi parar no Fantástico, que nos pediu autorização para reproduzir a brincadeira no site deles e na TV.
Para homens: se vc pudesse ser mulher por uma semana, o que gostaria de fazer?
não ter obrigação de matar barata e trocar pneu
não precisar fazer a barba (quase) todo dia
não ter que segurar o orgasmo
se der sorte nessa semana, poder ter um filho



Para mulheres: se vc pudesse ser homem por uma semana, o que gostaria de fazer?
poder fazer xixi em pé na rua
sexo casual sem nem pensar em telefonar no dia seguinte
ir a todos os restaurantes e bares da cidade e ser atenciosamente
não precisar depilar a virilha



****
Os resultados da primeira rodada foram:

Respostas dos homens:
1. não ter que segurar o orgasmo - 45,45%
2. não precisar fazer a barba (quase) todo dia - 41,41%
3. se der sorte nessa semana, poder ter um filho - 7,07%
4. não ter obrigação de matar barata e trocar pneu - 6,06%

Respostas das mulheres:
1. não precisar depilar a virilha - 38,34%
2. sexo casual sem nem pensar em telefonar no dia seguinte - 33,55%
3. poder fazer xixi em pé na rua - 22,36%
4. ir a todos os restaurantes e bares da cidade e ser atenciosamente - 5,75%

por Isadora em 20.8.04



Sobre a vida

Certamente eu sou o tipo de pessoa capaz de desenvolver teorias. Mas confesso que não tenho uma teoria pronta sobre a vida. Nas últimas duas semanas, em conversas com amigos, ouvi duas teses muito interessantes:

1.Teoria do refluxo

Segundo a autora, quer dizer que tudo aquilo que você vai engolindo sem digerir, todas as coisas que você fazendo sem querer ou propositalmente sem pensar nelas, um dia volta. No movimento de refluxo, inevitavelmente você vai ser obrigado a se confrontar com as questões que evitou. Mais ou menos assim: se você escapou na entrada, com certeza não vai escapar na saída.

2.Teoria da facilidade

A idéia aqui é explicar as nossas escolhas sempre a partir da faciliadde. Diante de duas opções, nós sempre escolhemos aquela que é mais fácil. Importante explicar que parece fácil para um, é difícil para o outro. Mas sempre, em última instância, decidimos pelo mais fácil.

Bem, eu poderia dizer que teoria sobre a vida a gente desenvolve a cada momento, sempre que precisa, sempre que está questionando a maneira de viver, sempre que entra em algum tipo de crise que exige reflexão.

Ou seja, teoria sobre a vida cada um tem a sua ¿ e você, tem uma?

por Isadora em 19.8.04



Sobre o final Sex and the City

"Depois de proclamarem as vantagens da solteirice , Carrie, Samantha, Miranda e Charlote terão os finais felizes que só a ficção oferece. Ao mesmo tempo em que foram ícones de uma certa libertação feminina - a da obrigação de casar - as quatro encarnaram também, e principalmente no final, um certo moralismo presente não apenas na cultura norte-americana, mas que desponta em tudo que cerca o universo feminino, essa qualidade sempre associada ao belo, ao doce e ao amoroso. Depois de seis anos tentando não fazer concessões, elas capitulam. " Para ler mais, clique aqui.
por Isadora em 19.8.04



A capivara da Cora e a minha carioquice

Toda vez que leio a coluna da Cora e ela fala da capivara da Lagoa eu me sinto uma carioca menor por que nunca vi os bichos na lagoa. Para ler mais, clique aqui.
por Isadora em 19.8.04



Adesivo de amigo

Todo mundo sabe que eu reparo muito em adesivos de carros pela rua.
Hoje vi um assim: 'EU SOU AMIGO DO ZÉ"

Fiquei imaginando se é algum bordão sobre o qual estou por fora, mas perguntei aos amigos e me disseram que não...
Campanha elietoral?? Mas sem partido, sem cor, sem nenhuma referência, só assim, sequinho, "sou amigo do zé".
Ou é macumba, o taldo Seu Zé??...Provavelmente, não, essa entidade é respeitadíssima, só o chamam de 'Seu"...

Então é uma declaração de amizade?...Seria bonito, mas será?...

Se for, farei uns assim pra Isadora, Raquel, Roberta, Daniela, Elaine, Laís, Daniela, André, ....ih, tanta gente que nem vai caber no meu carrinho!!! (rs)


por Mariana em 18.8.04



Vida, minha vida...

Quem não teve, um dia, a tentação de mudar de vida?
Quantos ousaram transpor a passagem?

É esse o assunto do primeiro romance da editora Fudamento: A Agência, da escritora francesa Lorraine Fouchet.
Ela conta a história de Juliette, jornalista em Paris, vida corrida, que resolve se mudar para o interior. Lá encontra a felicidade, avessa àquilo que ela durante a vida havia sonhado para si mesma.

Ah, até aí parece com um monte de filmes que você já viu ou livros que leu? Pois pra Juliette não parou por aí. Ela usa sua experiência em comunicação para criar uma empresa, a "Agência Mudar Tudo" - com o que e preciso, do operacional ao emocional, para quem quer recomeçar do zero.

O livro ganhou prêmios importantes na França, entre eles o Maison de la presse 2003, um dos mais importantes do país. Ainda mais curioso é que a personagem Juliette é inspirada numa mulher real, chamada Marie de a Forest.

Apesar de achar o livro bastante interessante, penso muito nessa síndrome que acomete a todos nós, essa ideia de que a vida que temos podia ser bem diferente. Muitas vezes isso, que ja parece já ter virado um senso comum, pode esconder a passagem boa que estamos tendo aqui pela Terra.

Enfim, cada caso é um caso. E cada um sabe de si. Mas é legal pensar sobre tudo isso.



por Mariana em 16.8.04



QI

Eu não sei precisar exatamente quando foi, mas arrisco que foi ali pela quarta série do primeiro grau - como se chamava no tempo em que eu era estudante. Eu 10 anos, era a orgulhosa melhor aluna da minha sala. (Na verdade eu era a melhor aluna da escola a como castigo tinha que hastear a bandeira brasileira nos eventos especiais com luvinhas brancas que faziam a corda escorregar e eu ter que praticamente largar tudo de uma vez na hora do "pátria amada, Brasil!!" - mas isso não vem ao caso, fiquemos com a sala mesmo).
Então na minha sala eu tinha as melhores notas em todas as matérias. Menos em uma. Português. Não que alguém tivesse mais alta do que minha nota. Tinha sempre igual. Tratava-se da filha da professora de português, que era da minha turma. Pois é. Em todas as outras matérias, a mocinha ficava lá pelo terceiro escalão de boletins, mas justo em português emparelhava comigo, a dona do pedaço.
Oh, sim, eu era um tanto metida e orgulhosa de meus boletins. Uma infantilidade, claro, mas, afinal, eu tinha 10 anos, não tinha o direito de ser infantil em minha infância? Nada me tirava da cabeça que a dita coleguinha tinha uma noção muito melhor do que todo mundo da sala do que ia ser abordado nas provas. Claro, se mamãe não contava as questões, pelo menos direcionava a filha para o que mais deveria estudar.
O fato é que foi por aí, nesses primórdios da minha vida, é que se formou uma das coisas que mais me tira do sério hoje em dia. Chama-se, em termos bem populares, "costas quentes". Ou QI - "quem indica". E o pior: as pessoas que, sendo beneficiadas por isso, subestimam nosso QI - aí, sim "quociente de inteligência" - fingindo que estão aí por seus próprios méritos.

Pois o QI das costas quentes continua aí, cada vez maior e me tirando do sério ainda, com meus trinta e meio. Talvez já fosse hora de eu me exasperar menos com a questão, mas tenho a impressão de que ultimamente tem crescido.

Vejam só: outro dia Preta Gil dizia aos jornais e revistas (que deram destaque a seu programa novo como se Roberto Carlos decidisse de uma hora pra outra fazer um talk-show ou o Padre Marcelo um programa de perguntas sobre sexo):
- Sou a primeira negra brasileira a ser apresentadora de um programa de TV, tenho que me sentir, né?

Preta, querida, você é preta só no nome. O que você é mesmo é filha de ministro e de cantor famoso. Você não canta, não encanta, não dança. Sabe aquela música do seu pai que fala que os presos do Carandiru, mesmo os brancos, eram "pretos de tão pobres"? Pois é, você é branca de tão filha de ministro e cantor famoso. Volte à realidade.

Hoje nos jornais foi a vez do namorado da filha dos "governadores garotinhos do Rio de Janeiro", um tal Wilson Sombra, comentar sobre Clarissa Garotinho Matheus alegando que "admira sua trajetória política".
Veja bem, a tal mocinha, além de fazer festinhas de anos 50 nos palácios da cidade, acompanha papai e mamãe em campanhas, distribuição de santinhos, e outras coisas bacaninhas e de repente tem uma "trajetória política"?? Não que eu divide que ela daqui a bem pouquinho será vereadora, deputada, o que for. Isso é moleza pra quem é filha do casal de governadores do estado. Más "trajetória política" é demais pra mim.

E o que dizer das mulheres de diretores de TV?? Mulheres que surgem do nada e depois de casar com os todos-podersos, passam ao primeiro time das novelas e minisséries. Cadê a tal Flávia Alessandra, que até protagonista foi, enquanto era casada com Marcos Paulo? Sumiu. Faz comercial de uma butique de segunda categoria no vidro de trás dos ônibus. Posso estar errada e ela nesse momento sofrendo num laboratório pra um "desafio" importatíssimo, mas eu só tenho visto mesmo é na traseira dos ônibus.

Claro que há Fernanda Torres, filha de Fernanda Montenegro. Luís Fernando Veríssimo, filho do ainda mais sensacional escritor Érico Veríssimo. Maria Rita da Elis também pode ser citada e outros mais. Mas disseram ao que vieram. Estão dizendo todos os dias. Com louvor.

Mas e as "bucetas-quentes"?? Ah, essas são as mais incríveis. Deu pro Ronaldinho uma vez, tá na Playboy e passa a ser convidada para todas as festas. Adriane Galisteu que diga, essa aí é o caso clássico, só perde pra Luciana Gimenez mesmo, que foi logo arrumando um Jaggerzinho pra garantir pensão e estrelato.
Outro dia me pasmei a banca de jornais: a tal Valeria Zopello numa playboy de segunda categoria, ainda capitalizandoa viuvez do cara dos Mamonas Assassinas, mostrando a pitchula pra todo mundo.

Será que não dá vergonha, não?
Ninguém tem vergonha??
Cara-de-pau agora é qualidade?
Se for, me avisem.
E desculpem o mau-humor.

por Mariana em 15.8.04



Vai lá

Sex and the City ainda nem acabou, mas você já está com saudades das quatro? Na Globo.com tem um hotsite especial, com direito a replay das cenas mais marcantes das seis temporadas: http://gmc.globo.com/GMC/0,,GC22-3616,00.html
por Isadora em 15.8.04





Uma parte, não muito grande, mas - acho eu - muito importante, desses quase dois anos do EPE, foram as poesias escritas por mim e Isadora.
Ela já escrevia há muito, muito tempo. Eu comecei por causa do blog.
Entre tantas, escolhi essas aqui, que, além de muito elogiadas, falam muito de nós, nos momentos em que escrevemos.


Sobrevivente
Por Isa, em dezembro de 2002

sou uma sobrevivente. de uma família destroçada, de uma infância caótica, de uma quase esquizofrenia.

sou uma sobrevivente. de uma overdose, de uma morte trágica, de um parto precoce.

sou uma sobrevivente. de alguns fracassos amorosos, de muitos erros cometidos, de terríveis riscos corridos.

sou uma sobrevivente. da dor, da angústia, do medo, e sobretudo da minha falsa coragem.

olho para o passado e penso: só os sobreviventes são felizes.

sabem do que escaparam. sabem do que ainda poderão escapar.


Encontro Marcado
Por Mariana, em janeiro de 2003

um dia desses te espero
numa esquina qualquer
vestida de mulher
dos pés a cabeça
cheirosa, latente
nervosa e quente

um dia desses te espero
numa beira de estrada
vestida de fada
lábios cor-de-rosa
cega de paixão
e varinha de condão

um dia desses te espero
no meio da rua escura
vestida de nua
carente de lua
demente, manhosa
querendo só uma prosa

um dia desses te espero
numa fumaça de asfalto
despida de salto
pés descalços de tortura
aberta, certa e segura
que nesse dia te mato

por Mariana em 13.8.04



Alma gêmea

Esta semana eu estava num café esperando uma amiga, enquanto na mesa ao lado dois homens conversavam. Um deles dizia:

"Essa era um dos problemas com a minha ex-mulher: horário. Eu saio 19h15 para ir a uma sessão de cinema às 20hs por que gosto de chegar 15 minutos antes. Não dá para viver correndo. Detesto pressa. Se eu tenho ginástica às 19hs, me organizo para chegar na academia às 18h45 e ter tempo de trocar de roupa, ir ao banheiro antes da aula. Essa é forma como eu quero viver. Isso é organização."

Bem, eu sou exatamente assim. De-tes-to viver correndo, me programo sempre para chegar antes, e qualquer correria me estressa a ponto de me estragar o dia.

Ou seja, tinha ali no café uma alma gêmea...Mas ao mesmo tempo pensava que jamais seria capaz de me interessar por alguém apenas por que ele, como eu, é obcecado por horários!


por Isadora em 13.8.04



A palavra

"Existe uma palavra que, uma vez dita, muda o mundo"

Quando alguém soube qual é, me avise, por favor.


por Mariana em 13.8.04





O papel fundamental da melhor amiga

Assim como a Joyce Pascovitch (leia o texto abaixo), eu também quase chorei vendo a cena do jantar de despedida da Carrie no episódio dessa semana de Sex and the City. Perder uma grande amiga é muito triste - e é diferente se simplesmente se distanciar dela por circunstâncias da vida. Acredito que as amizades são, sim, para sempre. Mesmo que muitas vezes o contato não seja nem tão próximo. Ontem mesmo eu conversava com uma amiga que está arrasada por que a sua melhor amiga está indo morar em Londres, sem data para voltar. Vai com marido e filho, tipo se estabelecer por lá. Posso estar redondamente enganada, mas a categoria "melhor amiga" é preferencialmente feminina.

Abaixo, a nota da Joyce no Glamurama, enviada por email pela Patrícia.

Sobre amizade
Do Glamurama

Eu, que me apego tanto a pessoas, cachorros e até a coisas, estou irremediavelmente apegada aos últimos dias de Sex and the City. Claro: com o final da série chegando, até as próprias garotas estão com cara de tristinhas, desanimadas, chorosas. E eu, junto, no mesmo clima, na mesma sintonia. Sou uma vítima da televisão: compro produtos de limpeza, eletrodomésticos, rio e choro, tudo bem ao gosto do freguês. E mais uma vez, estou às vésperas de me sentir órfã de alguma série ou novela que eu goste. É triste. Muito triste. No capítulo em que Carrie se despede das amigas para ir morar em Paris... eu me vi praticamente às lágrimas. Que dilema, hein? Paris ou três amigas de cama e mesa, daquelas que a gente raramente encontra juntas em uma única encarnação? Vida difícil a dessa Carrie... Eu tenho de confessar que chorei quando vi o último jantar em Nova York das quatro amigas. Porque, para mim, amizade é muito. É o que segura. Amiga a gente escolhe, é muito exigente - e, ao contrário de outros tipos de relacionamentos, raramente se arrepende. Para mim, amizade é muito: é quase amor. E, por favor: que ninguém me faça largar algum amor.

por Isadora em 11.8.04



E por falar em baleias...

A amiga de uma amiga minha me contou uma história muítíssimo engraçada: o namorado dela diz que é vidrado em mulher gorda. Ela não ser chega a ser magrela. Estaria, digamos, para uma mulher de Renoir...



...enquanto o sonho do rapaz é que ela seja uma mulher de Botero....



Ela acha mesmo que é da boca para fora. Afinal, da lista de namoradas do cara, havia no máximo uma ou duas que não poderiam ser chamadas mais do que cheinhas.

Será que tem mesmo homem com tara por baleia?....


por Mariana em 11.8.04



Do livro "O amor"

"Segundos estudos contemporâneos, o êxtase amoroso dura em média de 18 meses a 3 anos. Surpreendentemente, 3 anos é a duração do elixir de amor de uma das primeiras manifestações literárias que exalta o amor romântico: Tristão e Isolda. Atualmente, sabe-se que essa sensação de euforia romântica é causada por uma substância chamada de feniletilamina."

O livro, de Maria de Lourdes Borges, é um pequeno compêndio que conta como, ao longo do tempo, os filósofos definiram o amor e sua importância na vida, e explora o fato de que atualmente o amor tem sido cada vez mais explicado pela ciência, pela biologia, e pelos aspectos fisiológicos do amor, como se tudo na vida se resumisse à produção de feniletilamina.

por Isadora em 10.8.04



Sex and the City and the end

Ontem foi o penúltimo capítulo da última temporada de Sex and the City. O último capítulo tem excepcionalmente uma hora de duração e o Mulstishow leva ao ar dia 23, por que na próxima segunda-feira, 16, exibe um espécie de documentário sobre a série, com depoimentos das atrizes, roteiristas e diretor.

por Isadora em 10.8.04




Nenhuma imagem é melhor do que essa mulher no espelho para ilustrar o poema de Pessoa e o meu estado d'alma. O quadro, está na cara, é Picasso.


"Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar."

- Fernando Pessoa

por Isadora em 8.8.04



Telão e telinha

Vi muitos filmes esses últimos dias. Bons e muito bons.

Brilho eterno de uma mente sem lembranças, cujo roteirista é Charlie Kaufman, o mesmo dos ótimos Adaptação e Quero ser John Malkovich, é de uma originalidade e uma delicadeza impressionantes. É preciso um pouco de paciencia para entrar no clima, já que se trata de um filme fora dos padrões, mas uma vez lá, sai-se do cinema absolutamente maravilhado.

Vi também o polêmico Farenheit 9/11 de Miachael Moore e saí dali reforçando o que pensei depois de ver Tiros em Columbine: o cara é uma das figuras mais importantes do nosso século, embora este mal tenha começado. O filme é mais panfletário que Tiros, mas também é mais forte e bem feito. Obrigatório para quem, como eu, nutre um ódio profundo ao mundo Bush.

Na sexta fui à cabine para a imprensa de Olga. A produção é grandiosa, a história, por si só, é um drama daqueles que pareceria imverossímil se fosse ficção. Achei a primeira parte do filme muito didática, um roteiro meio engessado. Mas confesso que na segunda parte, depois que ela é deportada, me emocionou muito. Graças também à excelente atriz que é Camila Morgado. Acho que vai levar bastante gente ao cinema. Estréia dia 20.

Mas o melhor que vi nos últimos dias mesmo foi Peixe Grande (Big Fish). este no DVD. Passou no ano passado, me parece. O diretor e roteirista Tim Burton consegue fazer uma fábula emocionante e criativa sobre a família, o afeto entre pai e filho e sobre as formas com que podemos conduzir as nossas vidas e aceitar os caminhos daqueles que nos cercam. Peguem já nas locadoras e se deliciem.
por Mariana em 8.8.04





Em agosto, o EPE completa dois anos de vida. Num balanço sincero do que temos de melhor, descobrimos que são os nossos leitores. Nossos melhores momentos foram aqueles nos quais os cometários, os debates mudaram a vida e fizeram pensar, a nós, que escrevemos, e a todos que leram, toparam a parada e caíram dentro das muitas polêmicas que já rolaram por aqui.

Por isso, esse mês, o Samba-Canção traz O que deu samba no EPE, toda sexta-feira no ar.

A questão dos gêneros

Foi nos primórdios do Elas por Elas, outubro de 2002. Dois posts da Isa provocaram intermináveis - e inteligentíssimas - discussões sobre as diferenças entre homens e mulheres: seriam natureza ou cultura? O papo durou dias, mesmo com posts novos acima. Foi assim, ó:




Homem provedor...

Seja lá qual for o assunto, o nosso querido leitor Henrique sempre arranja um jeito de dizer que as mulheres querem um homem que seja provedor. Eu me atrevo a dizer que os homens são os que primeiro se enxergam como provedores:

> ficam desconfrotáveis se a mulher ganha mais do que eles
> acham "carinhoso" contribuir para grandes despesas das mulheres (o que pode até ser mesmo, se o cara não achar que está entre as suas obrigações de companheiro ou marido fazer isso)
> associam dinheiro a afeto, tipo mulher tem que ganhar presente caro
> gostam de impressionar as mulheres com bens ou com dinheiro (carro, restaurante caro...)
> rejeitam o casamento muitas vezes por que acham que serão obrigados a sustentar as mulheres, mesmo sabendo que a mulher com quem podem se casar trabalha e tem a sua própria remuneração

Ou seja, o cara tem que ser muito macho para bancar a idéia de que não, eu não estou aqui para pagar as contas. Por que logo depois de dizer isso, vai ser obrigado a responder a seguinte pergunta: ótimo, está aqui para que?
E será obrigado a reinventar uma resposta.

Homem se enfiar no lugar de provedor, mesmo que doa no bolso, tem a ver com cultura, com símbolos de poder masculino, com status e com esta sociedade de consumo maluca em que a gente vive.
Então, rapazes, antes de reclamarem, deveriam refletir também sobre a necessidade de mudar primeiro, se queixar depois, se a parceira não corresponder.



...e mulher dona de casa

Do mesmo jeito, as mulheres também continuam se enxergando como maternais e donas-de-casa, mesmo quando são profissionais muito bem-sucedidas com outras funções a desempenhar:

> quando tem empregada, acham que é obrigação delas dar as ordens
>em caso de separação, não admitem que os filhos morem com os pais
> se sentem responsáveis pelos problemas domésticos
> se sentem responsáveis pela alimentação (algumas se preocupam com a refeição dos maridos como se eles fossem crianças...)
> acham que devem fazer supermercado

Tem que ser muito mulher e ter muita segurança para dizer eu não estou aqui para fazer comida e ir a feira. Por que imediatamente vai se deparar com a pergunta: ótimo, então está aqui para que?

Ficar acomodada no papel de dona-de-casa tem a ver com cultura, com áreas de poder feminino, com preconceito e com com dificuldade de romper com padrões pré-estabelecidos, inclusive por culpa.

Antes das mulheres reclamarem de que os homens não compartilham tarefas domésticas, deveriam refletir também sobre a necessidade de mudar primeiro, se queixar depois, se o parceiro não corresponder.

por Mariana em 6.8.04





Orgulho de madrinha

Linda&Loura é um blog afilhado do EPE, com muito orgulho. Clica aqui e vai lá conhecer a dupla que alcançou o estrelado com o destaque na primeira página do Blogger.

por Isadora em 6.8.04





Homenagem...

...do EPE a Henri Cartier-Bresson, o mestre da fotografia que nos deixou hoje aos 95 anos, mas cujas imagens ficarão para sempre.

por Mariana em 4.8.04





Miranda e eu

Em Sex and the City, toda mulher que eu conheço se identifica mais com a Carrie. Bonita, inteligente, magra, ela escreve bem e mora em Nova York.

Comigo não era diferente. Mas de um tempo para cá venho me identificando com a Miranda e suas atitudes racionais. A racionalidade é, confesso, coisa recente na minha vida.

No episódio de ontem, Miranda discutiu com a Carrie por que foi contra a amiga largar tudo - o que é tudo a gente ainda vai discutir - e ir embora com o russo para Paris.

Toda mulher, que eu conheço tem essa fantasia. Digo isso por que também já tive o mesmo sonho - encontrar um homem maravilhoso que esteja perdidamente apaixonado por ela, a leve para Paris (ou qualquer outro lugar tão incrível como a capital francesa, para quem acha os franceses antipáticos ou prefere os trópicos) e a faça mudar radicalmente de vida.

E, claro, largar tudo por um grande amor.

O argumento de Carrie era o pior possível - esse "tudo" que Miranda valorizava ela jogava na lata do lixo. Quer dizer, diante de um homem maravilhoso, "tudo" - carreira, emprego, amigos, vida própria - virava literalmente nada.

Pois eu terminei de assistir ao episódio e concluí o seguinte: não tenho a menor idéia se isso vai me fazer mais feliz. Mas definitivamente resolvi apostar todas as minhas fichas no meu próprio "tudo". Que não jogo pro alto por nada nesse mundo.

A Miranda - racional, careta, responsável e por isso mesmo até chata - sou eu.

por Isadora em 3.8.04





Natureza

E tem aquela parábola do escorpião e do sapo, todo mundo conhece, né? Não?

O escorpião queria atravessar o rio, mas tinha medo de se afogar. Pediu que o sapo o levasse.
- Eu, não. Você pode me ferrar e me matar.
O escorpião discordou:
- É claro que não! Imagine. Se você morrer, afogamos os dois.
O sapo acreditou. Fazia sentido. Então botou o escorpião nas costas e começou a atravessar o rio.
Antes do final, sentiu a ferroada. Enquanto os dois se afogavam, ainda perguntou:
- Mas escorpião, por que você fez isso, mesmo sabendo que ia morrer???
- É a minha natureza - respondeu o escorpião, antes de descer para as profundezas.

Somos todos escorpiões? Ou não? Existe a natureza de cada um, contra a qual não se pode lutar, um padrão que repetimos a vida inteira, mesmo que saibamos que não é certo ou que não vai nos ajudar em nada?
Ou uma das coisas boas do ser humano é poder romper esse padrão?


por Mariana em 3.8.04



O amor mudou - viva o amor

A socióloga Marlise Matos, autora de um livro chamado "A reinvenção do vinculo amoroso", explica em entrevista como e por que a nossavida afetiva mudou. Nas transformações, ela enxerga mais liberdade. Para ler mais, clique aqui.

O sociólogo polonês Zigmunt Bauman, grande pensador da pós-modernidade, escreveu "Amor líqüido", no qual defende a idéia de que as relações afetivas estão cada vez mais fluídas, frouxas e, portanto, líqüidas. Para ler mais, clique aqui.


por Isadora em 2.8.04



Orkut - ame-o ou deixe-o

Desde que a web nasceu, nos idos da década de 90, cada novidade era saudada exatamente como está sendo recebido o Orkut - há quem adore, há quem odeie.

Num mundo em que nada veio para ficar, a ferramenta que promove encontros virtuais e debates temáticos na rede está fazendo adeptos e detratores (como o jornalista Arnaldo Bloch em coluna publicada sábado no Globo).

E você, já está no Orkut?

por Isadora em 1.8.04





Novela boa é assim: tem que ter um final surpreendente, mas ao mesmo tempo feliz. Com você, o final de Torres Gêmeas, a trama que o EPE trouxe ao ar nas últimas seis semanas e que foi escrita a 12 mãos por 6 blogueiras de mão cheia: Laís, do Linda&Loura, encerra retomando as questões que atormentavam Marcos desde o começo. Quem ainda quiser entender o fio da meada, clique aqui e leia todos os capítulos anteriores, escritos por Maria, do Maria Sai da Toca>, Raquel, também do Linda&Loura, Reox, do Mulherzinha, e Isadora e Mariana, aqui do EPE mesmo.



Torres Gêmas - final
por Laís, Linda&Loura

- Marcos... Marcos, o que foi, meu filho?

Abriu os olhos, o quarto da infância, a voz da mãe, suas velhas fotos na parede.

- Nada, mãe. Foi só um sonho ruim. Deve ter sido aquele remédio que você me deu pra dormir.

Só um pesadelo surreal, pensou aliviado. Mais dois segundos e a ficha caiu: uma parte dele era real: Helena tinha ido embora.

- Meu Deus, em que ponto eu entrei nesse pesadelo?

- O que, meu filho?

- Nada, mãe, nada..

- Você não vai trabalhar?

- Não ( eu disse isso? Como assim, Não?)

- Filho, você está muito mal mesmo. Vou fazer uma comidinha especial

- Não, mãe, eu vou pra casa.

- Que casa, meu filho? Você e Helena se separaram..

Pegou o carro, acendeu o cigarro, deu voltas pela cidade. O celular berra, é o Humberto.

- Foda-se. Essa empresa pode passar um dia sem mim.

Chegou em casa, sem saber porque ou o que ia fazer lá. Sabia que precisava estar lá, tomar um banho no SEU chuveiro, cair na SUA cama, sentir o cheiro da SUA mulher, mesmo que fosse só no travesseiro. Abriu a porta e sentiu algum tipo de alívio momentâneo que em poucos segundos transformou-se numa vontade de berrar.

- Imagina, o Humberto e a Claudia com a Helena. A Helena traidora, a Helena lésbica? A Helena, a Helena, a Helena. Eu preciso dessa mulher, será que ela não entende? Sempre com suas figuras de linguagem, com suas frases enigmáticas, com sua superioridade avassaladora, incontestável. O mundo está se desmanchando, não adianta ser inflexível. Meu Deus, ela não sabe que eu sou apenas um homem, um merda de um cromossomo XY com todas as limitações que essa conformação genética pode impôr e que não entendo toda essa porra de filosofia que ela vê na vida? ¿ dizia, sem perceber que berrava cada vez mais dentro do quarto ¿

- O problema é esse, Marcos.

- Helena? Você não devia estar trabalhando?

- ¿Eu sou assim, eu sou assado, não sei ser de outro jeito¿. Você não acha que pode mais do que isso? Você é um homem inteligente, brilhante, tenho certeza de que é capaz de algo mais do que apenas defender as suas próprias mediocridades. Eu já disse mil vezes: eu não vou te proteger delas. Mas se quiser ajuda, estou aqui.

- Falou a advogada brilhante, a mulher que sempre tem razão.

- Eu nunca quis ter razão, eu sempre quis ter você. Mas foi impossível e sabe porque? Porque você está sempre se defendendo. De mim, do mundo, da vida. Quem escolhe a ironia e o cinismo só consegue ter a companhia delas.

Um silêncio conhecido pairou no quarto. E em alguns segundos ele viu o filme dos próximos minutos do resto da sua vida: uma discussão inócua com a mulher que amava desesperadamente, ele entrando no carro e voltando pra casa da mãe e no dia seguinte praquele escritório subitamente estranho repetir as mesmas coisas inúteis de sempre. E tudo isso pra que? Pra que?

Sentou na cama, exausto de si mesmo. E chorou.

- Não sei o que fazer - repetia, aos prantos - Minha vida está uma merda, está tudo de cabeça para baixo.

Helena o abraçou. Ele lembrou de todas as vezes em que ela chorava e ele saía do quarto para sala.

- Sou um idiota. Você chorou aqui tantas vezes e eu te odiava por isso...

- Isso não é um jogo com placar, Marcos.. disse ela, já perdendo a esperança..

- Você acha que eu tenho jeito?

- Não sei... Você acha que tem?

- Não sei, Talvez

- Talvez é uma resposta flexível ...

- Mas eu não vou conseguir sem você

- Consegue, sim.

- Talvez..

- Eu tenho certeza.

- Certeza é uma inflexibilidade..

- É, Talvez.., disse ela, rindo.

"E não adianta ser inflexível", repetiram, em coro, já às gargalhadas.

Ele ficou sério, e segurou a mão dela.

- Eu posso até conseguir, mas não quero.

- Não quer o que?

- Ficar sem você

- ....

- Me ajuda?

- Humm.. Talvez...

Ela riu e eles se beijaram, dispostos a reinventar, juntos, esse mundo que se desmancha, para não serem derrubados, como duas torres separadas.

por Isadora em 30.7.04





Parpimtim - ou como é bom mudar de nome

Gosto muito dela desde o primeiro CD. Adriana Calcanhoto, agora em versão infantil no CD Adriana Parpimtim. Ela tem toda razão - é muito bom mudar de nome, experimentar outras identidades, brincar de deixar de ser quem você para ser outra, aquela que você seria se não fosse como você é.

Isadora taí para não me deixar mentir.

Por que está tocando na rádio, a única música do disco novo que conheço é a doce interpretação de "Fico assim sem você", que tem uma letra muito gracinha:

Fico Assim Sem Você
Claudinho e Buchecha

Avião sem asa, fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola. Piu-Piu sem Frajola
Sou eu assim sem você

Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim

Amor sem beijinho,
Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço, namoro sem abraço
Sou eu assim sem você

To louco pra te ver chegar
To louco pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço, retomar o pedaço
Que falta no meu coração
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo

Neném sem chupeta, Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada, queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você

Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes vão poder falar por mim
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Por que?

por Isadora em 29.7.04



Zuenir e as magrelas

Ontem em sua coluna de O Globo, o maravilhoso Zuenir Ventura escreveu sobre a mania da magreza feminina. Disse ele: "nós, homens, não temos nada a ver com isso". Argumentou que preferem mesmo as rechonchudas, boazudas, carnudas. Não é o primeiro homem que diz isso. Tenho ouvido isso da maioria dos amigos e colegas de trabalho.

Confesso que também me impressionei muito nos últimos fashion weeks da vida, com modelos que pareciam saídas de campos de concentração. Esquálidas, ossudas, com aparência muito longe do sáudável.

Diz Zuenir que essa mania da magreza faz a cabeça da mulher, não do homem. Certo. Pode ser mesmo. Mas apesar de não achar bonita a anorexia reinante, fiquei pensando se, afinal de contas, as mulheres devem agradar os homens ou a si mesmas e seus espelhos.

E acho que voto na segunda opção.

por Mariana em 29.7.04





Atire a primeira pedra quem nunca quis chutar o balde

É, tem um dia em que você acorda e dorme com uma idéia fixa: chutar o balde. Largar de fazer tudo certo, direito, parar de pagar seus impostos em dia, ignorar os prazos, as datas, a agenda.

Tem dias que dá vontade de não ter agenda.

Assim, só por que você cansou de fazer tudo certo, eficiente, correto, ético, direito. Cansou de ser responsável, séria, comprometida.

O diabo desses dias é que eles são uma tentação, mas não trazem felicidade, só angústia. Por que você também sabe que não vai chutar balde nenhum. E, pior, sabe que, se chutasse, também não seria feliz.

por Isadora em 28.7.04





Amor eterno amor

De todas as coisas que me chamaram atenção no episódio de ontem de Sex and the City ¿ a casa nova da Miranda, o cachorro da Charlote, a obsessão da Samantha pela imagem -, a que mais me mobilizou foi a atitude da Carrie em relação aos muitos telefonemas do Mr. Big.

Eal decidiu que iria ignorá-lo, e ainda ficou feliz com isso. Decretou que tinha, enfim, esquecido o grande amor. Mas daqui a três episódios ela o reencontra, o que para mim levou para a seguinte pergunta:

- A gente nunca esquece um grande amor?

Acho que não, que a gente nunca esquece um grande amor, e que as relações não acabam, mudam. Mesmo que deixe de ser o grande amor, o vínculo afetivo fica lá, para sempre.

por Isadora em 27.7.04



O bi

Amiga minha está numa sinuca de bico. Apaixonada por um antigo amigo de escola, descobriu que ele é bissexual. E que seus dois últimos relacionamentos foram com homens. Agora, porém, ele quer ficar com ela.
Só que ela simplesmente não consegue lidar com a idéia de que as pessoas em volta sabem das preferências dele. Não segura.

O que você faria no lugar dela?

por Mariana em 27.7.04



Marta, a vilã

Antes de tudo, não tenho nada de especial a favor da prefeita Marta Suplicy. Se ela faz mau governo, se é arrogante, isso não está em questão no meu post.
Mas tenho achado incrível o que tem sido cobrado de sua vida pessoal. Tenho convicção cada vez maior de que há grande preconceito - ainda - em relação a uma mulher no poder. Não fosse isso, não teria sido orquestrada toda uma operação para que ela tentasse reverter a popularidade baixa usando o ex-marido Eduardo - praticamente obrigado pelo partido a mostrar publicamente a namorada. Tudo para que Marta deixasse de ser a "vilã que abandonou o marido".

Se fosse um político-homem, duvido que isso fosse tão necessário.

Mas ninguém perdoa uma mulher - ainda mais na idade dela - que larga um casamento de 30 anos. Seja pelo motivo que for.

por Mariana em 27.7.04



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